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Editorial para um novo tempo

Estamos em um novo ano. 2013 marca a definitiva ultrapassagem dos portais do século 21. Por todo o mundo, novas receitas estão sendo testadas. Seja na economia, na educação, na convivência com a natureza ou na política, há falência das fórmulas antigas e necessidade de novas atitudes.

O crescimento da população mundial é da ordem de 1,2% ao ano e , Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), o contingente populacional do planeta atingirá a marca de 9 bilhões de habitantes em 2050, sendo a taxa de crescimento fixada em 0,33% ao ano. Em cem anos pulamos de 1 para 7 bilhões de pessoas sobre a face da terra e experimentamos um sentimento de globalização jamais visto.

Hoje a história da humanidade pode ser dividida em três eras, a agrícola, a industrial e a digital. Com o advento da internet, em aproximadamente 50 anos, o papel da informação mudou e transformou o mundo. O professor Hugo Assman definiu em 2000: “A sociedade da informação é a sociedade que está sempre a constituir-se, na qual são amplamente utilizadas tecnologias de armazenamento e transmissão de dados e informação de baixo custo. Esta generalização da utilização da informação e dos dados é acompanhada por inovações organizacionais, comerciais, sociais e jurídicas que alterarão profundamente o modo de vida tanto no mundo do trabalho como na sociedade em geral.” e hoje, 12 anos depois, estas alterações fazem parte de nosso dia-a-dia.

A moda e os equipamentos se renovam com a velocidade de um trem bala, sistemas de governo se consolidam ou derretem pela disseminação da informação que não pode mais ser controlada pela simples necessidade da ditadura ou de poderes econômicos. A comunicação informal e a facilidade e rapidez da troca da informação estão mudando a face do consumidor e do cidadão, são entidades sociais que, dia-a-dia ampliam o conhecimento sobre suas próprias necessidades e consolidam seu poder sobre decisões que atigem centenas de milhares de pessoas, em um ciclo vertiginoso de ampliação de abrangência e redução de tempo.

Mas como isso nos afeta?

Vivemos em um país naturalmente rico, com abundância de águas puras, terras produtivas e todo tipo de commodity(!) natural, cujas conduções política e econômica despontam no mundo como soluções e onde o desenvolvimento tecnológico acompanha as principais nações. Especificamente, vivemos em um nicho de preservação, tendo sua força  concentrada em valores culturais, naturais e históricos. Regionalmente, tomando como base a Serra do Papagaio, somos, aproximadamente 50 mil habitantes em Alagoa, Aiuruoca, Baependi, Itamonte e Pouso Alto. Desde que a Fundação Matutu nasceu e deu seus primeiros passos institucionais, observa-se uma população que vem ampliando seu interesse pela preservação e proteção de suas riquezas naturais e com um crescente interesse em aprender novas e sustentáveis tecnologias de produção. Este interesse, juntamente com ações pontuais de ONG’s da região, a instalação de um Parque Estadual como área de preservação, a atuação direta da Fundação Matutu e o interesse do Governo do Estado, possibilitou experimentarmos atualmente, um novo modelo de gestão, que fortalece os municípios individualmente a partir de sua ação regionalizada. Estamos falando do CER-Serra do Papagaio.

O Consórcio de Ecodesenvolvimento Regional da Serra do Papagaio, completou seu primeiro ano de existência e entrou em uma nova fase. Até aqui, formalização, organização de equipes, levantamento de dados e necessidades e desenvolvimento de ferramentas de trabalho foram as principais ações que envolveram sua instalação. Agora é hora de continuarmos ampliando a ação comum para o atendimento dos anseios das populações, tanto rurais quanto urbanas dessa região. Esta ação cabe aos gestores municipais e também à população representada por seus conselhos (CODEMA, CMDRS, CONTUR, etc) e, dentro do CER-Serra do Papagaio, pelo Conselho Participativo (CP).

Observa-se uma crise social, gerada pela descrença nas instituições, pela incompreensão e pelo desânimo generalizado. O cenário atual, tanto global quanto local, exige dos gestores públicos e dos cidadãos uma postura de contribuição mútua, de união e entendimento, não cabe mais, por um lado, a simples oposição e, nem por outro, o paternalismo, por isso a construção conjunta, o reconhecimento das necessidades coletivas e a busca de soluções regionais, neste caso, através do CER-Serra do Papagaio, propõe-se uma ferramenta efetiva para ampliar a comunicação entre os poderes públicos e a população regional, utilizando-se de tecnologias e conhecimentos avançados para uma gestão regional que pode se transformar em modelo para o todo o Estado.

Observa-se também a necessidade de processos que reforcemm a identidade da Serra do Papagaio, restaurando a imagem regional e o empoderamento dessa regionalidade pela população local, tudo isso como parte de um movimento que se iniciou há muito tempo e está se consolidando nas comunidades e municípios envolvidos nesse processo. A Fundação Matutu, com base nos resultados obtidos, juntamente com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente – SEMAD, assinou o aditivo do Convênio que permite a continuidade do trabalho de apoio ao CER-Serra do Papagaio e confia que, juntamente com as comunidades, o Conselho Paticipativo, a Câmara Técnica de Meio Ambiente, os Grupos de trabalho, o NACER e, principalmente, com os prefeitos dos municípios consorciados, unidos em prol do bem comum, da transparência e da eficiência e prontos para um novo tempo, será construído com sucesso esse modelo.

(!)Palavra inglesa

      1. [Economia]  Matéria-prima ou mercadoria primária produzida em grande quantidade, cujo preço é regulado pela oferta e pela procura internacionais e não varia muito consoante a origem ou a qualidade.
      2. [Economia]  Produto que resulta de produção em massa.
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